Matéria de JORGE JÚNIOR e EDUARDA RAMOS
Uma auditoria realizada pela Receita Federal do Brasil e pelo Ministério da Previdência Social apontou que o MacapáPrev acumula um rombo de R$ 329.651.035,66 em contribuições previdenciárias devidas e não repassadas ao instituto. O relatório também revela que recursos do regime próprio de previdência foram direcionados para diversos fundos de investimento, incluindo o CAM Vanguarda Imobiliário FIP Multiestratégia, administrado pela REAG Gestora de Recursos, do banqueiro Augusto Lima sócio de Daniel Vorcaro.
Segundo a auditoria, o montante de R$ 329,6 milhões corresponde a R$ 111,3 milhões descontados dos servidores e não recolhidos ao instituto, além de R$ 218,3 milhões referentes à contribuição patronal não repassada. O documento afirma que o desconto aconteceu, porém o ex-prefeito Antônio Furlan não teria repassado os valores ao caixa da MacapáPrev e o recolhimento das contribuições pode, em tese, configurar o crime de apropriação indébita previdenciária, determinando o envio de representação ao Ministério Público do Estado para apuração das responsabilidades.

Além do rombo, a auditoria destaca que o MacapáPrev foi alvo de sucessivas fiscalizações sobre aplicações em chamados fundos “estressados”, relacionando investimentos em fundos como Monte Carlo, Singapore, Barcelona, Terra Nova, Pyxis, Illuminati, Austro, WNG, BRA1 e o CAM Vanguarda Imobiliário FIP Multiestratégia, este último identificado no relatório como fundo da REAG Gestora de Recursos. Os resultados dessas auditorias, segundo o documento oficial, foram encaminhados à Polícia Federal para apuração das condutas dos responsáveis pelas aplicações financeiras.
O relatório também registra que, em setembro de 2025, o Ministério da Previdência já havia solicitado esclarecimentos à administração municipal após identificar uma expressiva redução do patrimônio do regime previdenciário. De acordo com a auditoria, as reservas financeiras passaram de R$ 176,8 milhões, em julho de 2023, para R$ 39,4 milhões, sem que os esclarecimentos requisitados fossem apresentados pelos gestores da época.
Outro ponto destacado pela fiscalização é que, entre 2022 e 2025, o patrimônio financeiro do RPPS continuou encolhendo, caindo de quase R$ 180 milhões para menos de R$ 30 milhões, enquanto despesas com benefícios e gastos administrativos cresceram significativamente, comprometendo o equilíbrio financeiro e atuarial do instituto.

REAG
Entre os fundos citados pela auditoria está o CAM Vanguarda Imobiliário FIP Multiestratégia, administrado pela REAG Gestora de Recursos. Publicamente, a REAG tem como um de seus principais executivos Augusto Lima, gestor que também foi apontado em reportagens sobre operações envolvendo fundos de investimento ligados ao mercado financeiro.
Importante: o relatório da Receita Federal e do Ministério da Previdência não afirma que Augusto Lima praticou qualquer irregularidade, nem atribui responsabilidade criminal à REAG. O documento apenas registra que recursos do MacapáPrev foram aplicados em fundos administrados pela gestora e que auditorias sobre esses investimentos tiveram seus resultados encaminhados à Polícia Federal para apuração das responsabilidades dos agentes envolvidos nas decisões de investimento.

Essa redação mantém a distinção entre os fatos documentados na auditoria e informações públicas sobre a estrutura societária da REAG, evitando atribuir ao relatório conclusões que ele não faz.
Procuramos a defesa de Augusto Lima e da Reag que preferiram não se manifestar sobre o assunto. Furlan, Janayna Ramos e Leivo Rodrigues, porém, não foram encontrados para falar sobre o assunto.


