Pivô de investigação por suposta compra de votos e alvo da Polícia Federal ganha cargo de Ouvidor na Prefeitura de Macapá

Por JORGE JÚNIOR

O Prefeito de Macapá nomeou Gleison Fonseca da Silva — conhecido localmente como Coló — para ocupar o cargo de Ouvidor no Município, cargo de destaque na administração pública que tem como função principal receber, apurar e encaminhar reclamações, denúncias e representações de interesse público. A nomeação ocorreu no início de 2025, com publicação oficial no portal da prefeitura, e consta nos sistemas públicos de transparência como responsável pela Ouvidoria do Município de Macapá.

Conexão com investigação da Polícia Federal

O nome de Gleison Fonseca ganhou destaque nacional após ser citado nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral que apuram um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2020, em favor da então candidatura de Antônio Furlan, hoje prefeito de Macapá pelo MDB. Segundo a reportagem da CNN Brasil, o celular de Gleison Fonseca teria sido periciado pela PF e, a partir das mensagens, os investigadores apontaram sua participação na logística de distribuição de recursos e materiais de campanha perto de zonas eleitorais durante o segundo turno das eleições municipais.

Ligações políticas e familiares em destaque

A operação que originou a investigação não se limitou a Gleison Fonseca. O promotor de Justiça João Paulo Furlan, irmão do prefeito Antônio Furlan, também foi alvo de afastamento pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) após suspeitas de conduta incompatível com a função — incluindo suposta participação na mesma investigação sobre compra de votos. O órgão ministerial descreveu na denúncia que houve associação entre os investigados com o objetivo de obter vantagem no pleito eleitoral, o que configuraria organização criminosa com divisão de tarefas. Importante ressaltar que a Procuradora-Geral do Ministério Público do Amapá, Dra. Ivana Lúcia Franco CEI, não é investigada pela Polícia Federal, apesar de no mesmo período ter o promotor João Paulo Furlan como chefe de gabinete.

Foto: Divulgação (Gleison “Coló” com o promotor João Paulo Furlan)

Perfil e confiança política

Gleison Fonseca é amplamente visto no meio político local como uma pessoa de estrita confiança do prefeito Antônio Furlan e do seu irmão, o promotor João Furlan — laços que agora estão sob escrutínio público em meio a essa polêmica. Sua nomeação para uma função sensível como a Ouvidoria — que deve zelar pela transparência e pela defesa dos interesses dos cidadãos — gerou críticas de setores da sociedade civil e de opositores, que questionam os critérios da administração municipal para ocupar uma posição que requer imparcialidade e probidade administrativa.

Repercussões e posicionamentos

Até o momento, a defesa de Gleison Fonseca não respondeu publicamente à reportagem, conforme divulgado pela CNN Brasil, e a Prefeitura de Macapá ainda não emitiu nota oficial explicando a escolha do nomeado frente às investigações em curso.

O caso segue em andamento, e autoridades locais e federais observam a evolução das apurações, que podem resultar em desdobramentos das ações da Polícia Federal.

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