Por JORGE JÚNIOR
Registros de acesso ao sistema do Ministério Público do Amapá indicam que o promotor João Paulo Furlan teve contato com dados de um processo em segredo de justiça antes de informações sobre o caso serem divulgadas em um blog político de Macapá. O site em questão é conhecido por apoiar a campanha do irmão do promotor, o ex-prefeito da capital, Antônio Furlan.
De acordo com o histórico do sistema, o promotor acessou o processo de número 0002947-02.2019.8.03.0002 no dia 25 de setembro de 2024, cerca de duas semanas antes das eleições municipais daquele ano. O caso, que tramita sob sigilo desde 2019, envolve uma investigação relacionada a um episódio de violência doméstica.

Os registros apontam ainda que Furlan realizou 15 downloads de documentos do processo, mesmo não sendo o responsável pela condução da investigação. Dias depois, parte dessas informações passou a circular em um blog político local, que publicou imagens do processo, boletim de ocorrência e trechos de depoimentos. A postagem também expôs dados pessoais da suposta vítima, como nome completo e números de documentos.



Segundo informações posteriores do próprio processo, o caso acabou sendo arquivado após conclusão de que a denúncia era inconsistente, sendo descrita como baseada em relato considerado fantasioso pelas autoridades responsáveis pela apuração. O promotor está afastado pelo CNMP desde janeiro deste ano.
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinou o afastamento de João Paulo Furlan de suas funções
A medida está relacionada a investigações sobre possível participação em um esquema de compra de votos nas eleições de 2020, quando seu irmão venceu a disputa pela prefeitura de Macapá. Apesar da suspensão e da proibição de acessar os sistemas e dependências do Ministério Público, o promotor tomou posse recentemente como presidente da associação que representa os promotores de Justiça no Amapá, entidade de caráter privado.
A situação gerou repercussão nacional por envolver um membro do Ministério Público afastado do cargo e ligado a um grupo político que também enfrenta investigações conduzidas pela Polícia Federal.


