Após vídeo de criança com TEA viralizar, professores denunciam abandono e falta de estrutura em escola municipal de Macapá

Por JORGE JÚNIOR

Professores efetivos da EMEI Meu Pé de Laranja Lima, em Macapá, divulgaram uma nota pública que classificam como um repúdio à falta de estrutura física e de pessoal na unidade escolar. O posicionamento veio após a circulação de imagens que viralizaram nas redes sociais, mostrando uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) dormindo no chão da escola durante uma atividade.

No documento, as docentes afirmam que a situação expõe o que chamam de “completo abandono da rede educacional municipal de ensino público”, especialmente no que se refere às condições para garantir uma educação inclusiva segura e de qualidade. Segundo a nota, as turmas neste ano letivo possuem média de 23 a 25 alunos. Em algumas salas, há entre seis e oito crianças com diagnóstico de TEA, incluindo estudantes com nível de suporte 2, que demandam acompanhamento mais intensivo.

Foto: Reprodução

Os professores destacam que essa realidade exige equipe multiprofissional, suporte técnico especializado e recursos pedagógicos adequados — estrutura que, conforme relatam, não é disponibilizada pela gestão municipal. Os educadores afirmam que a escola não conta, há anos, com número suficiente de professores auxiliares, cuidadores ou estagiários. Também apontam a ausência de estrutura física apropriada para assegurar a inclusão conforme determinam a Constituição Federal e as legislações específicas sobre educação inclusiva e direitos da pessoa com deficiência.

O episódio citado ocorreu durante a semana de acolhimento, em um baile de socialização promovido pela escola. Conforme relatado, uma aluna com TEA (nível de suporte 2) adormeceu no salão da unidade. Uma professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) permaneceu acompanhando a criança, enquanto a docente da turma regular ficou responsável sozinha pelos demais alunos, incluindo outras crianças autistas.

Foto: Reprodução

As professoras ressaltam que, no momento do evento, não havia suporte adicional da equipe gestora para atendimento individualizado. Para elas, a responsabilização individual de uma docente, diante de um cenário estrutural considerado insuficiente, é injusta e desproporcional.

Na nota, as educadoras também apresentam desculpas à família da criança envolvida, reconhecendo a sensibilidade do ocorrido, mas reforçam que atuam diariamente dentro das condições limitadas oferecidas à unidade escolar. Ao final, o grupo reitera o repúdio ao que considera falta de investimentos da Prefeitura de Macapá em profissionais especializados, cuidadores, auxiliares e melhorias estruturais, e convida o secretário municipal de Educação, o prefeito e demais autoridades a visitarem a escola para conhecerem de perto a realidade enfrentada.

Até o momento, não houve posicionamento oficial da Prefeitura sobre as denúncias apresentadas pelas professoras.

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