A sombra do Poder: “acordão” entre Gilvam Borges e Furlan reforça influência de José Sarney que continua dono do “tabuleiro” político no AP

O pedido de desistência protocolado por Gilvam Borges no último dia 15 de junho recolocou uma velha pergunta no centro da política amapaense: afinal, quem continua definindo os grandes movimentos do poder no estado?

O gesto de recuo acontece em meio ao processo que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que, em tese, pode gerar consequências eleitorais para o prefeito de Macapá, Antonio Furlan, inclusive com reflexos sobre sua elegibilidade futura, caso haja decisão desfavorável e trânsito nos termos da legislação eleitoral. Ainda assim, o simples protocolo de desistência não encerra automaticamente o desfecho jurídico, já que caberá ao TSE deliberar sobre os efeitos processuais do caso que segue 2×1 pela inelegibilidade de Antônio Furlan e seu vice Mário Neto.

Politicamente, porém, o movimento já produziu seus efeitos.

Furlan em visita ao ex-presidente José Sarney em Brasília

Nos bastidores, fontes ouvidas pelo DG News afirmam que Furlan teria recorrido ao ex-presidente José Sarney para abrir um canal de diálogo com Gilvam Borges — dois personagens que, até então, ocupavam posições de confronto. Segundo esses relatos, Sarney teria atuado como interlocutor e dado sinal verde para a construção da pacificação.

Não só Furlan, mas também Gilvam tem devoção quase que religiosa à imagem do líder político José Sarney.

Se confirmada essa leitura dos bastidores, o episódio reforça uma percepção antiga da política amapaense: mesmo sem ocupar cargos eletivos, Sarney segue sendo tratado por parte dos atores políticos como uma figura capaz de construir pontes, reduzir conflitos e influenciar decisões estratégicas.

Gilvam Borges então senador na Tribuna do Senado Federal

O episódio também revela algo maior do que o destino jurídico de uma candidatura em 2026. Mostra como, no Amapá, antigas estruturas de poder permanecem presentes e como lideranças históricas continuam sendo acionadas nos momentos de maior tensão institucional e eleitoral.

Para críticos desse modelo, trata-se da manutenção de uma política excessivamente dependente de lideranças tradicionais e de decisões tomadas longe do debate público. Para aliados, é a demonstração de que experiência, articulação e capital político ainda exercem peso em momentos decisivos.

Independentemente da interpretação, o acordo entre Gilvam e Furlan deixa um recado evidente ao cenário eleitoral: no Amapá, o jogo político continua sendo acompanhado com atenção por personagens que muitos julgavam apenas parte da história — mas que seguem influentes no presente.

E, às vezes, na política, quem não aparece no centro do palco ainda pode continuar sendo apontado como alguém que conhece o roteiro.

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